Lab 2 # 1o Filme de Referência



















O texto original tem inúmeros momentos que não estão no filme (citando O Mar de Lágrimas) e ao contrário (citando a presença de duas raínhas e a luta contra o dragão). Uma fábula, clássica, popular, com suas variações. Não devemos nos prender ao filme. É outra linguagem, computação gráfica (no caso) e animação. Temos corpos, pessoas, espaço e tempo, materiais plásticos (água, barro, areia, arame), máscaras, luz e som, relações, motivações. As matrizes serão outras; buscaremos a nossa linguagem, teatral contemporânea.

Mas, descobre-se a identificação com características, que se colhe, como frutas de uma árvore.  Assim como de outras. O contexto da devastação: a Segunda Grande Guerra, o Holocausto; diários, como o de Anne Frank; conflitos atuais, como o da Síria; o imaginário sobre o Holocausto depositário da Bíblia; as perspectivas de um real fim de mundo; a força dos filmes de ficção científica. Dois imaginários vão convergir e interagir.

Almoço e bate-papo. 

Comentários sobre o filme suscitam associações e dilatam o imaginário.

A protagonista é uma heroína, de menina perdida, um pouco amedrontada, para mulher corajosa, que vence os próprios medos. Há quem se identifique com Alice, por sua trajetória de amadurecimento. Como nos colocamos perante o mundo, a família, as coisas que queremos. Fazer o que se quer e não o que os outros querem é um índice de amadurecimento. Ou com a Raínha, quando se assume uma posição de chefia/supervisão: "Cortem a cabeça" torna-se signo desta posição. Ou com o Gato, por dar conselhos, conversar, orientar; o Cachorro, por preocupar-se com a família e fazer de tudo para salvá-la/ajudá-la; com o Coelho, correndo com sete empregos, sem tempo pra conversar, comendo às pressas, saindo sem responder, sempre atrasado. Nervoso, adrenalizado (o corpo dilata e o rosto se modifica ao dizer). Com a Lagarta, pela presença do fumo. "Você deveria parar de fazer isso". Problematizar o uso de substâncias em uma dinâmica de debates. Felipe gosta do Chapeleiro. Quando fala, abre os braços e a dimensão corporal se transforma em potência cênica. Compara a loucura da Lebre com a resistência do Chapeleiro. Resistência de quem consegue ajudar. Consegue dizer "vem cá".

Eduardo traz referências sobre a Guerra, testemunhando a perspectiva de potencializar a junção dos dois contextos. Dois tempos paralelos: o de dentro e o de fora do "buraco" onde ela cai. A diferença entre a percepção do tempo em um e em outro. A ideia também de dois espaços: EUA e Europa na 1a Guerra. A alteração de tempo e espaço é um instrumento para nós, para que a poética aconteça.

No momento seguinte, confraternização; saca-se o cavaquinho. A conversa corre solta e as perspectivas de pesquisa, grupo de estudo de Libras, incluindo particularidades e o ensino para as cegas; além do trabalho sonoro que chamamos "encapsulamento" em função de uma poética da voz cênica.

Mesmo de maneira informal, ali, conversando, produzimos sons com a "técnica do encapsulamento". Felipe lembrou do Trem de Ferro, de Manoel Bandeira. Imagem e som. Uma relação enigmática entre imagem, som e palavra. Produção sonora e psiquismo. Fica o poema para finalizar.

Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge Maria o que foi isto maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa fumaça
corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo na fornalha
que preciso
Muito força
Muita força
Muita força

Aô ...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
De inagaseira
Debruçada
No riacho
Que vontade de cantar

Aô ...
Quando me prendera
No canaviá
Cada pé de cana
Era um ofício
Aô ...
Menina bonita
Do vestido verde
Me da sua boca
Pra mata minha sede
Aô ...
Vou mimbara vou mimbara
Não gosto daqui
Nasci no Sertão
Sou de Ouricirri

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente


P.S. Na foto, galera indo para o nosso encontro.

Grata por fazer parte! Grata ao Cena Diversa!
Rejane Arruda
14 de março de 2020.



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